Heresia! Será?

Precisamos parar de chamar as idéias de “heresias” e as pessoas de “hereges” só porque não concordamos com elas. É uma mentalidade adolescente. Uma heresia cristã seria 1) uma negação da doutrina claramente ensinada nas Escrituras, ou na linguagem de Vicente de Lérins, “o que foi acreditado por todos os cristãos, em todos os lugares, em todos os tempos,” e também 2) ensinada de tal maneira que divide a Igreja. “Heresia” não significa “falsa doutrina”. Significa “divisão”, embora especificamente uma divisão causada pelo ensino de doutrinas falsas. Exemplos de heresia entre os cristãos seria …

° Negar a divindade de Cristo é heresia.

° Negar a inspiração das Escrituras é heresia.

° Negar o nascimento virginal é uma heresia.

° Negar a expiação substitutiva da morte de Cristo é heresia.

Contudo….

° Acreditar que os demônios podem ser transmitidos através de fazer sexo com outra pessoa não é heresia.

° Acreditar ou no pedobatismo ou no cedobatismo não é heresia.

° Acreditar que as pessoas podem, pelo poder do Espírito Santo, falar em idiomas que nunca estudaram não é uma heresia, nem acreditar que essas pessoas que dizem que falam em línguas têm alguns parafusos a menos.

° Acreditar que Deus escolheu alguns para serem salvos não é heresia, nem acreditar que a graça de Deus libera a vontade e dá às pessoas a oportunidade e a opção de aceitar ou rejeitar o Evangelho.

° Acreditar no milênio ou não acreditar no milênio não é heresia.

A acusação de heresia é uma acusação séria, e não deve ser contornada apenas porque não gostamos ou concordamos com algo que alguém disse.

Desabusando Priscila: Ela era pastora?

Um dos meus ex-alunos, agora um líder na Convenção Batista do Brasil, fez a seguinte pergunta na sala de aula:

“Dr. Mark, o que você acha do fato que Priscila participou no discipulado de Apolo como a professora dele?” (Atos 18:26)

O que se segue foi minha resposta à sua pergunta:

Esta é uma excelente pergunta, e você identificou um dos versículos principais usados pelas feministas para defender a ordenação de mulheres ao ministério pastoral, e que Paulo teria aprovado um ministério de mulheres ensinando homens. Primeiro, leremos juntos o versículo, e depois, responderei sua pergunta.

Atos 18.24 “Nesse meio tempo, chegou a Éfeso um judeu chamado Apolo, natural da cidade de Alexandria. Ele era um bom orador e conhecia muito bem as Escrituras. 25 Ele tinha sido instruído no caminho do Senhor; falava com bastante entusiasmo e ensinava de maneira correta a respeito de Jesus, apesar de conhecer somente o batismo de João. 26 Ele falava sem medo na sinagoga e, quando Priscila e Áquila o ouviram, chamaram-no de lado e lhe explicaram melhor o caminho de Deus. 27 Apolo, então, quis ir para a região da Acaia. Os irmãos o encorajaram e escreveram aos discípulos de lá pedindo que o recebessem bem quando ele chegasse. Ele foi uma grande ajuda para aqueles que, pela graça, tinham acreditado…”

1. O foco desta passagem é Apolo, e como esse tremendo pregador do Evangelho (veja 1 Coríntios 2-4) entrou na Igreja e no ministério cristão. Áquila e Priscila já estavam em Éfeso porque Paulo os levou para lá no final de sua segunda jornada missionária (Atos 18.21; 53 d.C.). Algumas feministas exageram muito a função de Áquila e Priscila em Éfeso. Por exemplo, uma pessoa escreveu:

“Paulo confiou em Priscila e Áquila o suficiente para deixá-los em Éfeso enquanto ele viajava para Antioquia. Eles abriram outro ramo de sua tenda fazendo negócios. Eles assumiram o comando completo da missão em Éfeso.”
(mylordkatie, “Early Women Disciples – Priscilla”)

A autora ofereceu especulações interessantes, mas o texto bíblico não oferece apoio ou base por afirmação alguma, além do que Paulo confiou suficiente no casal para deixa-los em Éfeso. Depois que eles chegaram a Éfeso, foi Paulo quem pregou na sinagoga (18.19), mas ele não ficou tempo suficiente para plantar uma igreja. Áquila e Priscilla não são mencionados novamente em Atos 18.19-21. Não foram “pastores” de uma igreja, porque os crentes em Éfeso não estabeleceram uma congregação separada, uma “igreja”, até depois que Paulo retornou a Éfeso em 54 d.C. (Atos 19.9). Foram os judeus da sinagoga, não de uma igreja, que pediram que o Apóstolo ficasse mais tempo, mas ele recusou (18.20-21).

Quando Apolo chegou a Éfeso e começou a falar na sinagoga, Áquila e Priscila ainda estavam adorando na sinagoga (18.26). Áquila e Priscila não o convidaram para sua “igreja”, mas para uma conversa particular, e não foi Áquila e Priscila que incentivaram Apolo a ir a Corinto, mas “os irmãos”. Essa é uma forte indicação de que Áquila e Priscila não eram os pastores da uma igreja em Éfeso, como sugerido pelas feministas.

2. Impossível classificar a conversa como “discipulando”. Era só uma conversa.

3. Não foi só Priscilla que falou com Apolo, mas ambos juntos, como casal, o chamaram ao lado. Tampouco é verdade que Priscilla é apresentada como o membro dominante do casamento. Áquila e Priscila são mencionados pela primeira vez em Atos 18:1 Depois disso, ele (Paulo) deixou Atenas e foi para Corinto. 2 E ele encontrou um certo judeu chamado Áquila, natural de Pontus, recentemente vindo da Itália com sua esposa Priscilla.

Aqui, a ênfase está em Áquila, e Priscilla é apresentada como “sua esposa”. O fato de o nome dela aparecer primeiro nas cartas de Paul poderia ter outras explicações (principalmente culturais), ao invês de ser a chefe ou a pessoa mais importante da família.

4. Essa foi uma conversa particular (proslambano), longe da sinagoga. A única outra ocasião em que esse verbo aparece no NT, foi quando Pedro puxou Jesus para o lado para repreendê-lo em particular (Mt 16,22; Mc 8,32). É impossível extrapolar a partir desse cenário que dá licença para as mulheres pregarem ou ensinarem numa igreja.

5. É importante observar o verbo que Lucas usou para descrever a atividade do casal. Eles não pregaram (kerusso) a Apolo, nem o discipularam (manthano), nem sequer o ensinaram (didasko). O verbo é ektithemi, “expor”, um verbo que só aparece no livro de Atos. Lucas usou esse verbo para descrever Pedro explicando aos judeus em Jerusalém o que aconteceu com Cornélio (11.4), e para descrever Paulo relatando aos judeus em Roma como Jesus Cristo cumpriu as profecias do Antigo Testamento (28.23). Desde que Atos 11.4 e 28.23 envolviam ouvintes hostis, dificilmente se poderia dizer que esses eram ambientes “pastorais” ou “de discipulado”.

6. Consequentemente, o máximo que podemos dizer sobre essa história é que foi uma simples conversa entre um casal leigo, embora bem discipulado pelo apóstolo Paulo, e um jovem pregador que precisava de algum refinamento de sua mensagem. Seja em Éfeso ou seja em Corinto (18.27-28), Apolo é o pregador da passagem, não Priscila. Ela participou da conversa com Apolo, mas não há nada no texto que indique que Priscilla estava atuando em uma função pastoral ou mesmo de discipulado. Quantas vezes conversas como essa ocorrem em nossas igrejas, quando um casal maduro de leigos leva um jovem pastor de lado para incentivá-lo em seu ministério? Você pode acreditar que isso aconteceu comigo várias vezes quando eu era um jovem pastor!

7. Precisamos colocar essa conversa entre Áquila, Priscila e Apolo em comparação com a conversa de Paulo no próximo capítulo (Atos 19), quando, como Áquila e Priscila, Paulo encontrou discípulos de João Batista, que certamente tinham se familiarizado com Apolo. Áquila e Priscila “informaram” Apolo com maior precisão sobre o “caminho de Deus”, enquanto na conversa de Paulo no capítulo dezenove, encontramos uma declaração que não é apenas doutrinária, mas que fornece um momento pivotante no livro de Atos: a transição do cristianismo como um movimento judaico que reflete a pregação do arrependimento e o batismo de João Batista (Atos 2.38) à um movimento que se baseia 100% na fé em Jesus. Podemos perguntar: Priscila batizou Apolo, como Paulo batizou os demais discípulos de João Batista? Ela colocou as mãos sobre ele para que ele pudesse receber o dom do Espírito Santo, como Paulo fez com os demais discípulos de João Batista? Se ela fosse a pastora da igreja, treinada pelo Apóstolo, ela não teria se envolvido em ações semelhantes?

8. Apolo também não foi o único jovem pregador a falar em Éfeso enquanto Áquila e Priscila estavam lá. Na primavera de 57 dC, Paulo deixou Corinto indo em direção a Jerusalém pela Macedônia (Atos 20), e no caminho para a Macedônia deu ordens para que Timóteo ficasse em Éfeso (1Ti 1.3) com o objetivo de comandar indivíduos específicos não ensinar heterodoxia (1Ti 1.3; cf. Atos 20.29-30). Foi nessa carta, 1 Timóteo, que Paulo usou sua autoridade apostólica para declarar que era permitido às mulheres receber instrução, mas não para ensinar, nem exercer autoridade sobre os homens (1Ti 2.11-12). Essa ordem apostólica não seria extremamente estranha se o próprio Paulo tivesse colocado Priscila como co-pastora da igreja em sua primeira visita à cidade? Atos 20.30 também deixa claro que os anciãos da igreja eram homens, não mulheres. Em vez disso, o ministério de mulheres era o ensino de crianças (2.15), o cuidado de necessidades físicas  (diaconisas, 3.11; cf Rom 16.1), ou as viúvas que receberam seu sustento da igreja em troco de votos de dedicar o resto de suas vidas para servir Jesus Cristo, com requisitos distintamente domésticos para sua participação (1Ti 5.9-10). As orientações do Apóstolo para as viúvas jovens eram para se casarem, terem filhos e assumirem responsabilidades domésticas.

Podemos saber, com base no fato de que Áquila e Priscila estavam em Roma (Rom 16.3-5) quando Paulo escreveu aos romanos em 57 dC, que o casal não estava mais em Éfeso quando o Apóstolo viajou para Jerusalem. Mas quando Paulo escreveu sua segunda carta a Timóteo no final da vida do apóstolo no outono de 67 dC, Áquila e Priscila estavam de volta a Éfeso (2Ti 4.19). Se Paulo considerou Áquila e Priscila os co-pastores da igreja de Éfeso, não é estranho que não encontremos nenhuma sugestão disso em 2 Timóteo, que foi escrito como um apelo urgente para que Timóteo voltasse ao ministério devido aos desvios doutrinários que enfrentaram a igreja (2Ti 1.6 )?

Em conclusão, aqueles que apelam para Atos 18:28 e a conversa privada entre Áquila, Priscila e Apolo como prova de que Áquila e Priscila eram co-pastores da igreja em Éfeso estão atirando no escuro. Não havia igreja na época, já que os cristãos ainda estavam se reunindo na sinagoga, o pregador na passagem não é Priscilla, mas Apollos, e o verbo usado para a conversa entre o casal e Apollos é uma palavra minimalista para a comunicação de dados. A decisão de enviar Apolo a Corinto foi tomada pelos “irmãos”, e não por Áquila e Priscila. É uma contradição chocante pensar que Paulo teria estabelecido uma igreja com uma mulher como co-pastora, apenas para proibir as mulheres de ensinar ou de exercer autoridade sobre os homens, em sua carta a Timóteo depois de enviá-lo para pastorear a mesma igreja. Não há menção de Áquila e Priscila como líderes da igreja quando Paulo retornou em 54 dC, nem em 1a ou 2a Timóteo. Transformar uma conversa particular entre um casal leigo e um jovem pregador em uma defesa para consagração de pastoras é um sopa de pedra – cada uma trazendo seus próprios ingredientes para engrossar o caldo.

(Expresso meus agradecimentos a Ivete Miller por sua ajuda na correção do meu português.)

Vencendo a Pornografia: Uma Guerra Espiritual

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O que segue são palavras de conselho que dei hoje a um jovem pai e marido que está lutando com a pornografia.

Bom dia, meu irmãozinho:

A pornografia é a praga desta geração. Devido à maneira como a pornografia estimula nossos corpos e cérebros, é literalmente um vício indutor de drogas, um vício que está destruindo a vida de centenas de milhões de pessoas em todo o mundo, velhas e jovens, homens e mulheres. Pessoalmente, acredito que isso é verdadeiramente demoníaco e, como tal, é o caso da verdadeira guerra espiritual. Primeiro, precisamos implementar as orientações de Tiago 4:

Primeiro, submeta-se a Deus. Fazemos isso confessando nosso pecado – concordando com Deus que ver a pornografia viola o amor e a santidade, confessando a Ele que somos incapazes de controlar nossas paixões e invocando-O para nos ajudar.

Segundo, resista ao diabo. Mesmo que o Espírito Santo permaneça permanentemente em nosso espírito, nossos corpos e almas (mente, emoção e vontade) podem ser oprimidos e controlados por nossos inimigos espirituais. Nossa batalha não está com carne e sangue – os homens maus que abusam das mulheres para colher bilhões por ano – mas com inimigos espirituais nos céus e na terra (Efésios 6.10 e seguintes).

Quando Jesus e Paulo lidaram com os demônios, eles não apenas oraram. Eles falaram diretamente com eles. Podemos e devemos declarar a eles com voz alta: “Espírito de pornografia e fornicação, o Senhor te repreende! Em nome de Jesus Cristo e pelo poder do Seu sangue, vá aonde Ele te enviar, mas tu não estas bem-vindo na minha vida! Vá embora e nunca mais volte!

Terceiro, santifique sua “casa”. Uma vez que tenhamos tomado a primeira e segunda etapa, agora somos as casas “vazias e limpas”, como na parábola de Jesus em Mateus 12.43 e Lucas 11.24. Mas agora, precisamos encher a casa. Podemos orar: “Senhor, neste momento eu consagro minha sexualidade, em corpo e alma, a Ti. Eu me ofereço a Ti como um sacrifício vivo. Encha-me com o Teu Espírito Santo e assuma o controle da minha vida.”

Quarto, esteja preparado. O pecado sempre cria padrões. O homem que só olha a pornografia quando sua esposa está ausente. Ou quando ele está no trabalho. O quando ele está sozinho nos fins de semana. Você sabe quando seu momento normal de tentação será atingido, então esteja pronto! Prepare-se mentalmente para esses momentos, ANTES da tentação! Considere o que nosso apóstolo escreveu em Romanos 6.12-14:

Portanto, não permitam que o pecado continue dominando os seus corpos mortais, fazendo que vocês obedeçam aos seus desejos. Não ofereçam os membros do corpo de vocês ao pecado, como instrumentos de injustiça; antes ofereçam-se a Deus como quem voltou da morte para a vida; e ofereçam os membros do corpo de vocês a ele, como instrumentos de justiça. Pois o pecado não os dominará, porque vocês não estão debaixo da Lei, mas debaixo da graça.

Por mais difícil que seja para entender, de acordo com esses versículos, o pecado só domina a vida de um homem porque ele permite! Somos como mulheres abusadas que deixam os homens baterem nelas e depois se recusam a ligar para a polícia! Meu vício pessoal não é o pornô, mas a raiva e os pensamentos malignos, odiosos e até assassinos que a acompanham. Tomo Romanos 6.12-14 muito literalmente. No começo de cada dia, oro literalmente: “Deus, controle meus pensamentos, minha boca, minha língua, meu coração, minhas mãos e meus pés. Assuma o controle das minhas emoções. Eu os dou a Ti! ”

E posso testemunhar que Deus é fiel! A Bíblia diz que se pedirmos algo de acordo com a vontade de Deus, Ele nos ouvirá! E essa oração captura o coração da vontade de Deus para nós – que Ele seja o Senhor de nossas mentes e corpos. Ele ouvirá esta oração!

Por fim, procure um homem mais velho e piedoso que esteja capaz e disposto a acompanhá-lo durante essa batalha. Um companheiro assim é uma das chaves para qualquer programa como Alcoólicos Anônimos: todos nós precisamos de um mentor, um discipulador. Todos nós precisamos de um amigo mais maduro, com quem possamos compartilhar os nossos momentos mais feios, sem medo e com confiabilidade total. Paulo tinha isso em mente quando escreveu Gálatas 6.1-2:

Irmãos, se alguém for surpreendido em pecado qualquer, vocês, que são espirituais, deverão restaurá-lo com mansidão. Cuide-se, porém, cada um para que também não seja tentado. Levem os fardos pesados uns dos outros e, assim, cumpram a lei de Cristo.

Quando estamos na batalha com pecados como pornografia, precisamos de um homem de confiança que nos ligue uma vez por semana para nos perguntar 1) como foi a semana e 2): “Você acabou de mentir para mim sobre qualquer coisa que disse?” E um amigo que nunca vai desistir de nós, mesmo quando caímos ou falharmos.

A pornografia é como o álcool, e basta uma bebida para nos colocar de volta. Mas, ativando o poder da graça de Deus e Seu Espírito Santo, podemos ser mais do que vencedores!

 

A Liderança Masculina na Bíblia

Era necessário para os/as feministas desenvolver uma “leitura feminista” para interagir com a Bíblia, porque na Bíblia, desde o início até o fim, a liderança é masculina. Existem migalhas como a história de Débora (mais sobre Débora num outro vídeo), mas tanto no AT e quanto no NT, 99,99% da liderança é masculina. Essa palestra foi apresentada na reunião da Ordem dos Pastores, na Primeira Igreja Batista de Campinas. Nem o audio nem o vídeo está muito bom mas dá para entender.

Nativismo Falsificado

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Existe uma mentalidade doentia à qual qualquer missionário é suscetível, especialmente aquele que ama verdadeiramente as pessoas com quem trabalha. Chama-se “going native”, mais ou menos, “tornar-se nativo”. “Going native” não é apenas aprender uma nova língua, a comer alimentos estranhos e adotar novos costumes. É a ilusão de que uma pessoa pode realmente se tornar outra pessoa que não seja quem é.

Caí nessa ilusão enquanto trabalhava como missionário entre os índios okanagans do Canadá. Trabalhamos juntos, comemos juntos, nadamos juntos, andamos juntos e ficamos conversando juntos até o sol finalmente desapareceu às 23:00 da noite. E logo eu estava andando, conversando e agindo como um índio okanagan. Não foi intencional. Foi apenas o resultado natural de querer ser um dos rapazes e ser aceito, apesar de eu ser um missionário americano branco.

O “Velho Ben” era o dono da fazenda onde eu estava hospedado num trailer no meio do pasto dele, e ele era tudo o que um patriarca da família deveria ser, independentemente da cultura de cada um. Em sua juventude, ele era um verdadeiro “boêmio”, mas a idade o transformou em um homem quieto e gentil, que falava pouco mas quando ele falava os outros ouviam. Então, um dia do nada, ele me disse. “Mark, você nunca será índio. Você sempre será um homem branco.”

Confesso que fiquei chocado e magoado. Parecia que eu estava sendo rejeitado e excluído, apesar dos meus melhores esforços para ser culturalmente sensível. Respondi perguntando o que estava fazendo de errado. Ele olhou para mim como se eu fosse louco e falou: “O que faz você pensar que está fazendo algo errado? Você não está fazendo nada de errado. Você está pensando errado! Quer se tornar algo que não é e, ao fazer isso, desonra a pessoa que é. Não tente se tornar um índio. Apenas seja um homem de bem.”

Essas palavras foram profundas, mas confesso que perdi essa mensagem pelo caminho. Fui ao Dallas Seminary e li “Dress for Success” (“Vestindo-se pelo sucesso”), e me perdi na busca inútil de ser um dos “caras chiques”. Depois vim ao Brasil e fiz todo o possível para me tornar um brasileiro. Eu trabalhei duro no idioma. Comprei roupas brasileiras, calcei sapatos brasileiros e, de vez em quando, cortei meu cabelo com um barbeiro brasileiro. E então, um dia, quando eu estava sentado no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, vestido como um brasileiro e lendo um livro em português, chamaram meu vôo. Quando me levantei, um jovem empresário sentado ao meu lado esbarrou em mim por acaso e, com toda sinceridade, olhou para mim e disse: “Excuse me”. Em inglês. Eu perguntei a ele em português “É tão óbvio assim?” E ele respondeu, com um sorriso compassivo, “Sinto muito”.

Aos olhos dos brasileiros, nunca serei brasileiro. E o fato de eu ser um americano conservador, evangélico e dispensacionalista que acredita na inerrância da Bíblia e aceita as proibições apostólicas contra a ordenação de mulheres como pastores, garante que, por mais que eu tente, ou que eu fale educadamente, existam pessoas que realmente se sentem uma profunda animosidade por eu estar no Brasil.

Mas também encontrei no Brasil as amizades mais íntimas e profundas que já tive na vida. Pessoas que me amam e me aceitam não porque sou americana, nem porque me tornei brasileiro, mas que, apesar de nossas diferenças, me aceitaram como eu sou. E quarenta anos depois, finalmente aprendi a viver o que o Velho Ben estava me dizendo na Reserva Okanagan, no Canadá: não tente ser outra pessoa. Apenas seja o melhor VOCÊ que você pode ser e, para mim, isso significa me tornar o homem que Deus pretendia. E eu escrevi tudo isso hoje apenas para compartilhar essa mensagem com você: existe apenas uma Pessoa no universo inteiro cuja opinião sobre sua vida realmente importa, nosso Pai que está no céu,. e Seu propósito para nossas vidas é exatamente isso: ajudar-nos a nos tornar a melhor versão de nós mesmos que podemos ser. Que Deus o/a abençoe!