Priscila discipulou Apolo? Ela exerceu autoridade sobre ele?

Resposta a um dos meus alunos do passado, hoje um líder entre os batistas. Sua pergunta:

“Mark, vc acha que Priscila participou do discipulado de Apolo como professora?” (Atos 18:26)

Excelente pergunta, e você identificou um dos versículos usados pelos feministas para defender a consagração de mulheres no ministério. Vamos ler o versículo, e depois darei minha análise:

Atos 18.26 Logo (Apolo) começou a falar corajosamente na sinagoga. Quando Priscila e Áquila o ouviram, convidaram-no para ir à sua casa e lhe explicaram com mais exatidão o caminho de Deus.

1- O foco do trecho é Apolo, e como este grande pregador, importantíssimo para a história da igreja primitiva (veja 1 Co 2-4) entrou na Igreja, quer dizer, no movimento cristão. A parte de Áquila e Priscila no trecho é mínima. Quem o mandou para Corinto? Não foram Áquila e Priscila, mas os irmãos da igreja em Éfeso.

2- Impossível classificar isso como discipulado. Era só uma conversa.

3- Não era ela que o informou, mas o casal. Lucas tem uma tendência de colocar o nome dela antes do seu marido, mas impossível extrapolar um argumento como liderança espiritual. Alguns observam que Priscila era um nome nobre e Áquila era um nome das classes baixas. Poderia muito bem ter sido algo social. Mas veja como Lucas introduziu o casal em 18.2: Lá, (Paulo) encontrou certo judeu chamado Áquila, natural do Ponto, recentemente chegado da Itália com sua mulher, Priscila. A ênfase está em Áquila e Priscila, no texto, é apresentada somente como sua mulher.

4- Era numa conversa em particular (proslambano), que poderia ser fora da sinagoga depois do culto, mas neste caso o texto afirma que foi na casa deles. A única outra vez que aconteceu este verbo no NT é quando Pedro repreendeu Jesus em particular (Mt 16.22; Mc 8.32). Impossível extrapolar isso como uma licença para mulheres pregar ou ensinar na igreja.

5- Era uma conversa simples e única entre um casal leigo, porém bem alicerçado pelo Apóstolo Paulo, e um pregador jovem que precisava de alguns refinamentos. Ainda que ela estivesse presente na conversa, não há nada no texto que aponte que ela exerceu autoridade sobre Apolo, que a reunião tenha sido um discipulado; era uma só conversa! Quantas vezes acontecem esse tipo de conversa em nossas igrejas? Casais maduros, conversando com outros casais ou somente um dos noivos, às vezes ajudando um pastor jovem para ser mais sucedido no seu ministério. Acredite, passei por várias conversas assim quando eu era um pastor jovem!

6- É importante observar o verbo que descreve a atividade do casal. Eles não pregaram (kerusso), não discipularam (manthao) e tampouco ensinaram (didasko). O verbo é ektithemi, que significa “expor”, verbo minimalista cujo uso comum em grego era meramente “um relato de fatos,” o verbo mais básico para descrever uma transferência de informação. Impossível extrapolar isso como um ministério de pregar ou discipular. É também interessante notar que este verbo aparece somente duas vezes em todo o NT (outro sendo Atos 28.23, e concordo que é significante!), ambas as vezes em contexto que demonstra aos judeus como Jesus cumpriu as profecias do AT. Mas certamente na outra ocasião, Paulo não estava discipulando os judeus; foram descrentes!

7- Precisamos colocar aquela conversa entre Áquila, Priscila e Apolo em contraste com a de Paulo no próximo capítulo quando ele se encontrou discípulos de João Batista, certamente companheiros de Apolo. Nem o conteúdo da conversa de Aquila e Priscila temos, enquanto temos uma declaração doutrinária e pivotante para o livro de Atos: encerrou a transição do cristianismo como uma movimento refletivo da pregação de João Batista (Atos 2.38) para um movimento 100% baseado em Jesus Cristo. Priscila os batizou? Ela concedeu o Espirito Santo com a imposição das mãos como Paulo?

Então, este relato, no contexto de explicar como começou o ministério de Apolo, composto de sete palavras num livro composto de 18,451 palavras, é uma das três migalhas (junto com as histórias de Débora e Maria Madalena) que os feministas usam como exemplos de mulheres no ministério pastoral. Mas quando olhamos objetivamente, não tem nada a ver.

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